domingo, 12 de maio de 2013

ENTREVISTA COM NINO DENANI AUTOR DO LIVRO "SE MEU PAI É OGUM"

 


Boa Noite, internautas que acompanham o blog Tambores de Orunmilá.... sou Rodrigo Correia dos Santos administrador  responsável pelo blog, sou médium, ogã e sacerdote umbandista, com muita alegria e dando Luz ao site, entrevistamos Nino Denani  que ira lançar oficialmente seu primeiro livro, dia 19 de Maio, batizado com o título "Se meu Pai é Ogum'



Tamboresdeorunmilá - Nino qual foi a sua doutrina entre seus familiares, e como conheceu a Umbanda Sagrada?
Nino Denani - Eu conhecia a Umbanda de uma forma completamente despropositada: minha namorada na época tinha 2 filhas e precisávamos de uma babá e, não sei bem o porquê, essa moça só conseguiria conversar conosco no terreiro, antes da gira começar. Então fomos lá, a menina quis assistir aos trabalhos e eu acompanhei, super cético, o desenrolar de tudo. Lembro-me que me sentei no último banco, fiquei de braços cruzados e desconfiava de tudo. Só retornei porque ouvi, determinada hora, uma palavra do Exu chefe do terreiro que acabou me desarmando. Desde então não saí mais. Na época, meus pais já frequentavam, em segredo, esse terreiro e, por isso, para mim foi tudo mais fácil. O namoro acabou, comecei outro (com minha amada esposa) e hoje temos nossa própria casa, dirigida por ela, onde trabalhamos os 4 (meus pais, minha esposa e eu) e mais uma afilhada.

Tamboresdeorunmilá - Na sinopse do seu livro, você diz que é um "espiritualista livre" o que você quer dizer com essa afirmação?
Nino Denani - Quero dizer que não me prendo a uma determinada denominação espiritualista, não importa o nome que me dão ou que dão para o que eu faço; o que importa é ajudar um irmão necessitado. Sou um homem que preza muito pela informação, pela filosofia e pelo estudo então não consigo me circunscrever unicamente ao universo Umbandista puro e simples: amo a Umbanda, pratico a Umbanda, mas me sinto livre para transitar entre outras vertentes espiritualistas. É o que trago sempre no ARTEFOLK, por exemplo: muitas informações oriundas de outras doutrinas que a Umbanda acaba nos mostrando em sua forma peculiar.

Tamboresdeorunmilá - Como foi escrever o livro, voltado ao meio religioso, como a Umbanda onde tem como ícones Rubens Saraceni e Alexandre Cumino? Você se espirou neles em algum momento?
Nino Denani - Na verdade não, mas não foi por maldade. Eu tenho uma filosofia de vida que diz que temos que aproveitar todos os instantes de nossas vidas da melhor forma possível e o livro é resultado disso. De qualquer forma, Se Meu Pai é Ogum... não é um livro, necessariamente (apesar do nome) voltado ao público umbandista. Ele tem mais cada dos romances da Anne Rice (Entrevista com Vampiro, Merric) ou do André Vianco (Os Sete, O Sétimo, Bento) do que do Saraceni.

Tamboresdeorunmilá - Como você vê a Umbanda Sagrada hoje em dia?
Nino Denani - Amigo, vejo que a Umbanda esta dividida em duas frentes distintas e isso já me chateou muito, mas agora levo com mais calma. De um lado temos pessoas que transformaram a Umbanda em um comércio descarado, sem dó e piedade. Esse comércio esta criando médiuns que procuram mais os títulos de honra do que a prática da caridade. De outro temos pessoas que estão a mercê disso tudo, nadando contra a corrente. Mas tenho esperança que isso mude em breve.

Tamboresdeorunmilá - Com toda essa tecnologia que vivemos, como você observa essa junção de internet e religião?
Nino Denani - Bom... o meu amigo Augusta Prates, da Rádio Bandeirantes Carioca, costuma dizer  que eu sou uma pessoa polêmica na Umbanda, então vou responder e causar outra polêmica: Eu não vejo nenhum problema na utilização da tecnologia para auxiliar a um irmão. Vejo problemas em fazer uso disso para ganho próprio, usando o nome de seu Guia, como forma de se autopromover ou promover a casa. Eu tenho vários vídeos no meu canal do Youtube falando de Umbanda, de espiritualismo, de Magia, mas não uso nome de Guia nenhum para me justificar ou corroborar com o que eu falo. Acho divertido (não errado) alguns médiuns que colocam vídeos de "seus Guias" dando consulta...

Tamboresdeorunmilá - Qual opinião sobre as mídias e o modo de divulgação no meio umbandista?
Nino Denani - Então... acho que seria ótimo, se nós, brasileiros, não tivéssemos a necessidade de dar nosso jeitinho em tudo. O que me preocupa, na verdade, são as brigas que vejo acontecendo porque alguém coloca uma foto e outro diz que aquilo é mentira, é errado. Não sei o motivo que nos leva a duvidarmos de nosso irmãos tão rapidamente senão a arrogância. Isso me preocupa e o grande "ampliador" deste comportamento é a facilidade que a internet nos dá de podermos conhecer coisas diferentes

Tamboresdeorunmilá - A religião Afro-brasileira como o Candomblé e a Umbanda sempre foram ironizadas devido esses Pai de Santos (de poste) que trazem a pessoa amada em 10 dias, qual a sua opinião sobre essas pessoas? E até que ponto elas acabam denegrindo a imagem tanto da Umbanda quanto do Candomblé na sociedade?
Nino Denani - (risos).... Acho que eles também tem suas funções, como tudo no Universo. Às vezes, eles são a porta de entrada para que alguém conheça mais seriamente, depois, o caminho da espiritualidade. Tudo tem seu motivo de existir e eles também tem o deles. Claro que não recomendo ninguém a visitar uma pessoa assim, mas cada um tem seu caminho. Com relação a denegrir a imagem da Umbanda, acho que isso já foi assim um dia e talvez ainda seja em regiões mais afastadas das grandes capitais. Mas dentro dos grandes centros urbanos, isso já esta praticamente caindo no ridículo.

Tamboresdeorunmilá - O que você acha que falta para a sociedade começar a respeitar, ainda mais a Umbanda como uma religião de bem?
Nino Denani - Falta os Umbandista seguirem a Umbanda. A sociedade não nos vê como uma religião séria porque nós não somos sérios. Tenho uma luta longa com essa questão, mas quebrar o ego do Umbandista é uma coisa muito difícil de se fazer. Para que a sociedade nos aceite como pessoas de bem, com uma religião rica e linda, devemos, primeiro, aprender que somos todos Umbandistas e seguimos um único caminho, independente de algumas diferenças metodológicas de rito.
                       Nos não conseguimos nem nos juntar para fazer a "Marcha do Axé" ser um evento grande! Não conseguimos nos juntar para por nossas opinião na mesa com relação ao  Marcos Feliciano. Nós preferimos apontar nossos dedos para o nosso irmão de outro Terreiro e dizer que ele trabalha errado, independente de quantas pessoas ele ajuda. Se, então, nem nós nos consideramos sérios, quem dirá quem não conhece de verdade a Umbanda.

Tamboresdeorunmilá - O que motivou a produzir o livro "Se Meu Pai é Ogum"? Foi algum fato que marcou sua vida?
Nino Denani - Então, sim e não. Muito do que conto no livro é baseado em experiências próprias (a casa de jorge, protagonista, por exemplo era a casa onde eu morava na região da Vila Mirante, São Paulo. O pedido de casamento realmente aconteceu, etc),  e muita coisa é baseada em situações que vivenciava enquanto dormia mesmo. Algumas das visitas de Jorge ao mundo espiritual realmente aconteceram comigo. Mas a trama em si não aconteceu de verdade.

Tamboresdeorunmilá - Qual a mensagem que seus leitores terão do livro "Se Meu Pai é Ogum"?
Nino Denani - Antes de eu publicar esse livro ele foi lido por algumas pessoas próxima a mim, inclusive uma leitora da ARTEFOLK que ganhou a primeiríssima edição de todas e cada uma dessas pessoa absorveu uma moral diferente. É até interessante ver os comentários depois. Mas o que eu acho que mais marca nisso tudo é a questão espiritual se o mesmo mundo que o material: eles coexistem e se inter-relacionam o tempo todo.
                 E uma coisa que sempre me incomodou em outros títulos que, acho, consegui tirar no Se Meu Pai é Ogum... e, também que todos fazem parecer muito fácil retirar um espírito endurecido no mal de seu lugar de conforto: é só chegar e rezar. Eu não acho que seja assim, acho que é mais como tirar um traficante do morro que ele comanda ou um viciado em crack do mundo que vive: requer paciência, perseverança e, em alguns casos, força bruta.

Tamboresdeorumila - Como foi o processo de produção do livro?
Nino Denani - Acho que nisso houve um diferencial bem bacana: eu não escrevi um roteiro para ser preenchido com uma história depois. Eu me sentava no banco do metro e escrevia o que vinha a minha mente. Escrevia tão inconscientemente que, muitas vezes, notava que algumas palavras, até frases estavam pela metade... (riso), deu um certo trabalho digitar e revisar tudo depois...

Tamboresdeorunmilá - Durante o processo de produção, teve uma hora  que pensou em desistir? Qual?
Nino Denani - Não, não teve. Na verdade eu não levava o livro como um livro; não tinha grandes pretensões com o que estava fazendo. Era só uma forma minha de ocupar meu tempo e isso me realmente me distraía. Às vezes eu parava, quando tinha algum livro bom para ler, por exemplo, e depois retomava a escrita. Foi um processo bem gostoso, pra ser sincero.

Tamboresdeorunmilá - "Se Meu Pai é Ogum" terá uma continuação? Ou o próximo volume abordara uma assunto diferente?
Nino Denani - Essa questão é complicada... (risos)...Sim, terá uma continuação que já está em processo de escrita no mesmo estilo: pego o metro e vou embora! Ele terá um participação maior de Viviane, embora Jorge ainda será o protagonista. Nesse segundo capítulo, vamos conhecer mais de perto a história de Marcel e Mephistos. Mas já existe outro título pronto, um pouco mais sobre a filosofia e a Umbanda, que eu vou lançar, acredito, mais para o final do ano. Tenho mais três outros romances em processo de criação também e um deles não tem tema "espiritualidade" como abordamos nos romances espiritualistas.

Tamboresdeorunmilá - O Orixá Ogum é muito presente em sua vida, esse livro é uma homenagem a ele? Ou pode dizer que Jorge o personagem principal do livro, seria você mesmo, numa alta biografia?
Nino Denani - Não, não...(risos)...Jorge é um personagem fictício que passa por algumas situações que eu vivi, mas são minoria no relato. A escolha  de Ogum tem mais a ver com a personalidade do Jorge do que comigo: ele é um guerreiro mesmo, que não se importa em fazer o que deve ser feito por exemplo, protege um amigo. Conforme a leitura, vocês entenderão o que eu digo.

Tamboresdeorunmilá - Você escreve sobre a Umbanda a mais de quatro anos, o que motivou?
Nino Denani - Outra coisa que aconteceu em minha vida de forma inesperada: eu crie um blog, o ARTEFOLK, com a intenção de publicar alguns desenhos que eu fazia. Sou artista plástico de formação e meus desenhos tem muito de um movimento artístico conhecido como Arte Folk. Daí o nome do site. Só que a temática tinha a ver com a Umbanda e, sempre que eu colocava um desenho, escrevia alguma coisa sobre ele. Com o tempo, percebi que as pessoas comentavam muito sobre os textos que sobre os desenhos então acabei assumindo esse lado e passei a pôr minhas observações sobre o que eu via, ouvia e sentia, minhas conclusões a respeito das coisas.
                     Minha esposa, que tinha muito tempo de Umbanda que eu, também começou a escrever e nós fizemos tantos amigos nesse meio do caminho que não paramos mais. Fui me sentindo, com isso, na obrigação de estudar sempre mais e isso acabou se tornando um círculo vicioso. em 2013 eu resolvi fechar o ARTEFOLK por repúdio a comercialização exacerbada que a Umbanda vem sofrendo, mas recebi muitos protestos dos visitantes e acabei retornando de uma forma mais simples do que era antes. Agora não paro mais: Sou responsável pela parte de Umbanda da Revista Povo de Santo e Asé, publicada em Portugal pelo Pai Jomar e frequentemente meus textos são usados pelos amigos da Rádio Melodias de Terreiro, do Átila Nunes, Augusto Prates e Jô Castro Neves, que vai ao ar pela Rádio Bandeirantes do Rio de Janeiro.

Tamboresdeorunmilá - De tudo que você já presenciou na Umbanda, o que mais marcou você? E o que você pode dizer para as pessoas leigas que não conhecem sobre a religião?
Nino Denani - Essa questão é ótima porque a resposta para ela  muda a cada dia: até pouco tempo atrás a coisa que mais tinha me marcado era o teste prático de mediunidade que fazíamos no Terreiro onde fiz o rito de passagem. Mas o dia que abrimos nossa casa, com a Ana Lidia chefiando, foi ainda mais marcantes. Depois disso, a entrada de nossos primeiros filhos...Mas o que mais me marca, sempre, é ver o assistente sair do Terreiro sorrindo. Sempre que termina o passe eu sinto essa emoção, me enche os olhos de lágrimas.
                      Para nossos amigos e irmãos que são leigos eu só deixo uma mensagem: "Não importa o caminho escolhido, não importa os nomes que usamos, o que importa, no fundo é fazer um mundo melhor através da caridade e compaixão. O caminho é simples pois todos tem que ter a oportunidade de chegar a Deus, basta querermos."

2 comentários:

  1. Bom,apesar de não ser uma Umbandista,admiro muitos preceitos e gosto da forma como o Nino Denani se denomina ser um "espiritualista livre".Sou da mesma opinião, busco o conhecimento daquilo que me seduz, e este universo espiritualista é muito fascinante, claro que não para qualquer pessoa, apenas para aqueles que tem por objetivo usar a fé e sua mediunidade em prol da pratica do bem e da caridade, como nosso amigo deixa bem claro na sua entrevista, e descobrir que além desse mundo existe uma vida da qual somente as pessoas que praticam esse o bem,podem alcançar.
    Há vc meu amigo de pequena data, meus parabéns pela entrevista maravilhosa, e que este seu livro seja um alavanco na sua carreira de escritor.
    Sucesso amigo !!! E que venham os próximos livros...Eu já estou aguardando meu.

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  2. Oi Sol!

    Muito obrigado pelo carinho! nem imaginava que você que não era Umbandita... Mas como costumo dizer; essas denominações são feitas por nós, encarnados, por um motivo até um pouco egoísta. O que temos que fazer é ajudar o irmão, não o importa o nome que damos a isso.

    Abs e obrigado pelo carinho!

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